Jogo viciado

Se acabarmos com ele, todos ganhamos.

  Aproximam-se as eleições autárquicas, que elegem os nossos representantes para as Assembleias de Freguesia, para a Assembleia Municipal e para a Câmara Municipal. Os presidentes, vereadores e deputados eleitos no próximo dia 1 de outubro têm a obrigação de trabalhar em prol dos scalabitanos.

  No entanto, no mandato atual verifica-se pouco este objetivo de serviço público: o que prevalece é a mesquinhez política, a vontade de se perpetuarem nos cargos e constantes práticas pouco democráticas.

  Basta assistir a uma Assembleia Municipal para verificarmos a atitude do executivo PSD, onde frequentemente esconde informação aos deputados municipais e não poucas vezes os desrespeita. A Câmara Municipal e o seu presidente não podem fazer isto, têm o dever de esclarecer todas as dúvidas dos deputados municipais e de todos os cidadãos que intervenham nesta Assembleia.

  Não é por acaso que a tendência alimentada tanto pelo PSD como pelo PS é a de um reforço dos poderes presidenciais, de forma a que os restantes eleitos não façam outra coisa que obedecer "cegamente" ao presidente. Por acréscimo, o escrutínio a este diminui e o clientelismo aumenta. Temos que contrariar isto. A Câmara Municipal não é do presidente, a Câmara é dos scalabitanos e scalabitanas.

   A juntar-se a isto, a escolha por parte dos responsáveis tem sido evidente. Basta olhar para situações como a dívida da Câmara, o abandono do centro histórico e a poluição no rio Tejo. E as responsabilidades não são só do PSD. É frequente o PS viabilizar, abstendo-se sempre, as decisões do PSD tanto nas reuniões de Câmara como nas Assembleias Municipais. Não se pode chamar oposição a uma força que tem viabilizado os orçamentos e posições do executivo PSD. A própria dívida da Câmara tem como responsáveis tanto os executivos do PSD como os anteriores executivos do PS.

   O Bloco de Esquerda, apesar de apenas contar com um deputado municipal, é a força política que mais propostas apresenta e mais propostas tem aprovadas. É por isso que queremos ter mais força: com mais eleitos conseguiremos fazer muito mais pelos scalabitanos e com os scalabitanos. A sua voz será ouvida. As mudanças necessárias serão feitas.

   Para contrariar a incompetência e a falta de ação do PSD e PS, apresentamos no nosso programa propostas como: a criação de um orçamento participativo, em que os cidadãos possam decidir quais as prioridades para o concelho; reforço dos poderes da Assembleia Municipal, de forma a aumentar a transparência no Município; a extinção das empresas municipais (que são corpos opacos e baseados no clientelismo, onde se oferece cargos aos amigos e se reforçam poderes pessoais) e a integração dos serviços e funcionários destas na Câmara Municipal, para que os cidadãos possam escrutinar as políticas; um verdadeiro investimento nos serviços municipais, que estejam orientados para os cidadãos e para o meio ambiente (por exemplo, os transportes públicos e as viaturas da Câmara devem ser movidos a energia limpa).

   Sabemos, no entanto, que esta luta é difícil e desequilibrada. O PSD e o PS têm muito mais dinheiro para a campanha do que as restantes forças. A cobertura jornalística feita pelos órgãos de comunicação local também não é equivalente para as diferentes forças políticas.

  É por isto que precisamos do teu apoio. Junta-te a nós para fazer despertar a cidadania em Santarém.

Francisco Cordeiro, nº1 à Assembleia Municial